terça-feira, 11 de março de 2014

05-Recordações de Angola 1971-1973 (por CCS-BCav3845)


O aeroporto (terra batida) era muito concorrido...
(Nord)

(Dakota) 

Helicópteros 



 
O avião que traz os frescos e os ansiados "aerogramas"...


Desastre aéreo.
Feridos o piloto, um soldado e dois furriéis da Companhia CCS.
(Reportagem do "Semana Ilustrada") 



Desastre aéreo em Serpa Pinto
O último voo do bimotor CR-LJQ – Quatro vidas por um fio

Reportagem de Adulcino Silva, Semana Ilustrada, pág. 18 a 23. (não sei a data)

A EVOLUÇÃO DOS MEIOS aeronáuticos está hoje na escala cimeira do Espaço Português. Na verdade, só na Província operam mais de duas centenas e meia de aviões particulares, conglobando várias potências e marcas diversas.
E compreende-se que assim seja. Efetivamente num território de grandes espaços vazios e onde as distâncias a cobrir são enormes, o tempo, que nos nossos dias conta cada vez mais e vale sempre mais dinheiro, só pode desafiar-se com o recurso da aviação.
Não deve por isso estranhar-se que, de quando em vez, se verifiquem determinados acidentes, que aliás, nos últimos tempos, estão a registar-se com certa assiduidade. Estar-se-á em presença da chamada lei das percentagens: — isto é, tantos mais acidentes ocorrerão quanto maior for o número e grau de utilização das aeronaves.

O CASO DAS TERRAS DO FIM DO MUNDO

NO DISTRITO DO CUANDO-CUBANGO, é naturalmente inestimável o papel desempenhado pelos meios aéreos. E do acidente que ora passamos a relatar, fica-nos uma certeza muito importante: — é a de que há controle efetivo das unidades a voar. Com efeito, a Imprensa só muito tarde se reportou ao acontecimento. Todavia, em Serpa Pinto, vivia-se com muita emoção o desenrolar dos factos. E os meios de aeronáutica civil estavam atentos, ao desaparecimento do CESSNA, havendo de colaboração com o respetivo Governador do Distrito, Major Branco Ló, que sobrevoou o local do acidente e acompanhou o estado dos feridos, desencadeando uma autêntica campanha de buscas que acabou por dar, felizmente, os resultados que seriam de esperar.

DESAPARECEU UM AVIÃO!

UM CESSNA 336 DA " TASA " tripulado por António Cabrita Sousa, natural de Albufeira (Algarve), de 45 anos de idade, casado, brevetado há oito anos, efetuava a viagem de regresso a Serpa Pinto, procedente do Baixo Longa.
Um temporal levantado muito rapidamente obrigou a consecutivos desvios que não resultaram. Esgotado o combustível, o bimotor logo principiou a perder altitude e a queda foi inevitável.
Calmo, obedecendo a todas as regras de navegação, só o piloto sabia, naquele momento, o que se estava a passar. Os três passageiros ignoravam todo o drama que António Cabrita vivia.
As possibilidades de contactos-rádio, devido ao mau tempo, não eram nenhumas.
... E o avião precipitou-se.

AS BUSCAS

ÀS SEIS HORAS DA MANHÃ do dia quatro iniciaram-se as buscas de salvamento nelas tendo colaborado cinco aviões civis, três da FAP e um helicóptero. Por volta das oito horas o avião desaparecido foi localizado imobilizado, a cerca de 60 quilómetros de Serpa Pinto, por um avião particular tripulado por João António Gonçalves Teixeira, que viu dois dos três passageiros do bimotor CR-LJQ que procuravam socorros, tendo feito uma fogueira com a qual foi possível conhecer a posição do avião sinistrado.

OS SOCORROS

DUAS HORAS DEPOIS DE ter sido localizado "Cessna", uma viatura da PSP chegava ao local. Dois agentes desta prestimosa corporação atravessaram, a nado, o rio Cuebe. Pouco depois fizeram evacuar dois feridos.
Dado o acesso ser extremamente difícil para salvar os dois restantes feridos foi necessária a colaboração de um helicóptero da FAP que também teve trabalho arriscado não obstante o seu poder de mobilidade.
Foi necessário abrir uma clareira na mata com auxílio de um homem pendurado pela cintura e de uma serra elétrica para cortar ramos de árvores.
Transportado de helicóptero, António Cabrita, chegou a Serpa Pinto. O seu colega de infortúnio fora de carro. No Hospital daquela cidade verificou-se que o piloto tinha fratura exposta na perna esquerda, clavícula partida, pulsos feridos e várias escoriações pelo corpo e na cabeça.

LOUVOR MERECIDO!

SEM DUVIDA QUE TODOS OS interventores nas buscas efetuadas merecem um elogio pela sua abnegação, sangue frio e eficiência. Também a população anónima justifica um aceno de simpatia pois pode dizer-se que Serpa Pinto esteve toda no Hospital a aguardar o regresso dos "desaparecidos”. Mas há, efetivamente, um louvor nosso para a colaboração imediata do Governo do Distrito, da FAP, da PSP e os pilotos particulares que depois de localizarem o bimotor sinistrado efetuaram, até final da operação de salvamento, voos em círculo, constantes, sobre o local do acidente.
Esses voos tinham por objetivo não perderem de vista o local e darem conforto moral aos feridos que, com a presença dos aviões sobre as suas cabeças, tinham a garantia de estarem a ser salvos.
Dado o estado de saúde do piloto António Cabrita este veio, acompanhado de sua esposa, D. Benvinda Fonseca, para Luanda, tendo sido internado numa Casa de Saúde, onde foi submetido a intervenção cirúrgica.
A reportagem de "SEMANA ILUSTRADA" procurou-o e ouviu-o no leito onde se encontra a restabelecer-se. Ao lado, sua esposa, que simpaticamente nos acolheu.

O TETO ESTAVA COMPLETAMENTE FECHADO E NÃO TINHA POSSIBIDADES DE REGRESSAR AO PONTO DE PARTIDA

ANTONIO CABRITA, O PILOTO que lutou com a morte e venceu-a, fala para os feitores desta Revista. Depois de confirmar que eram quatro os ocupantes do "Cessna—336", o nosso interlocutor fez questão em que, por nosso intermédio, fosse dirigido um muito obrigado ao furriel do Exército que jamais o abandonou e transportou às costas mais de 50 metros, e que, ao serem lançadas garrafas térmicas contendo líquidos diversos para mitigar a sede de ambos, o furriel (cujo nome ignora) apanhou uma que caiu a cerca de 70 metros e levou-lhe para que fosse ele o primeiro a beber. Só depois, o "furriel desconhecido" levou a garrafa à boca. Magnífico exemplo de solidariedade!

PERGUNTAS E RESPOSTAS

— Há quanto tempo reside em Serpa Pinto?
— Há três meses que eu e minha mulher fomos para lá.
— Quando foi brevetado e quantas horas de voo tem até ao momento?
— Fui brevetado em Luanda há oito anos. Tenho mais de mil horas de voo.
— Conhece bem a rota que seguia nesta sua última viagem?
— Perfeitamente.
— Causas do desastre?
— Foi o temporal. O "teto" estava muito baixo e não oferecia possibilidades de perfuração pelo que tive de obter uma alternante de 80 quilómetros da rota, próximo do Bucho, que fica distanciado desta cidade cerca de 70 quilómetros.
— ... E qual era a rota?
— Baixo Longa — Serpa Pinto.
— E o tempo de voo?
— Quatro horas e meia.
— Não tinha possibilidades de regressar ao último ponto de partida?
— Não tinha porque estava tudo completamente fechado.
— Qual é a autonomia da aeronave?
— Seis horas e meia.
— A que horas descolou de Serpa Pinto?
— As oito da manha para Vila Nova da Armada; tempo de voo: uma hora e cinco minutos; Vila Nova da Armada — M’Pupa; tempo de voo: 50 minutos; regresso a V. Nova da Armada-Baixo Longa e Serpa Pinto, onde não chegámos.
— A que horas se deu o desastre?
— Cerca das 15 horas de sexta-feira. Só fomos localizados por volta das oito horas da manhã de domingo.
— Portanto...
—- ... isso mesmo!... estivemos todo aquele tempo ali na mata, à chuva, ao vento, com sede e fome. Passaram por nós manadas de corpulentos animais, entre outros de menor porte, embora não menos "sociáveis", que, felizmente, não nos viram ou não nos ligaram a importância necessária para investir.

DEIXEI QUE A SORTE ME DESSE AS MÃOS...

— Ê evidente que teve a perceção do que ia acontecer. Como reagiu e qual foi o comportamento dos passageiros?
— Já com os motores parados tentei aterrar numa chana que divisei não muito longe. No entanto acabei por perde-la porque a neblina "fechou" completamente. Deixei que a sorte me, desse as mãos e nos ajudasse. Não larguei o "manch" do avião enquanto este não se imobilizou totalmente. Quanto aos passageiros... mantiveram-se todos calmos. Só mais tarde se aperceberam do acidente.
— Como aterrou?
— "Atirei" com o avião sobre a cúpula das árvores de grande porte para amortecer a queda. Ao fim de 50 metros o bimotor estava imobilizado. Então tentei sair. Verifiquei que era impossível fazê-lo só pelos meus próprios meios. Vi que tinha uma perna partida, várias escoriações pelo corpo. Tentei abandonar o avião para irmos — eu e os passageiros — para um sítio onde a nossa presença fosse mais visível afim de facilitar as buscas mas era utopia. Não podia mexer-me. Foi então que dois dos passageiros tomaram essa iniciativa enquanto um outro — o furriel desconhecido — não me abandonou. E, apesar da chuva e do traumatismo psicológico do acidente, ele ainda conseguiu levar-me às suas costas cerca de 50 metros. Mas as minhas dores já eram tantas que tivemos de ficar ali mesmo.
Após uma pausa prosseguiu:
— Pedi ao meu companheiro que fizesse uma boa fogueira com caixas de cartão e madeira seca, que estavam no avião, pois estava tudo molhado e não se podia atear fogo fosse ao que fosse. E a fogueira era um meio para alertar os socorristas.
— Recorda-se a que horas chegou a Luanda?
A esposa intervém para retificar, uma vez que Cabrita Sousa não estava efetivamente certo desse pormenor. É ela que nos diz: Seriam dez e meia. Pouco mais talvez, mas não seriam ainda 11 horas.
— A que horas foi operado?
— Eram duas horas da tarde. Os médicos não estavam na Casa de Saúde. Era domingo, dia de folga. Mas assim que foram alertados vieram com a urgência que o caso requeria. O médico assistente da "TASA" foi incansável. O analista também. Estou-lhes muito reconhecido.

JÁ TENHO SAUDADES

— Quando estiver completamente restabelecido volta a voar?
Olha-nos. Puxa um pouco o lençol para cima e, com um sorriso nos lábios, disse:
— Se volto!... Já tenho saudades!...
 

06-Recordações de Angola 1971-1973 (por CCS-BCav3845)

O nosso estádio "Os Cavaleiros" (heliporto)
 
Estádio "Os Cavaleiros"


 
Ténis

Futebol entre Oficiais e Sargentos 


Andebol 


Voleibol 





Basquetebol 




07-Recordações de Angola 1971-1973 (por CCS-BCav3845)


O rio Cuíto nasce na serra de Mozamba, centro de Angola
e desagua no rio Cubango.
Vista dos meandros do Cuíto. Na época das chuvas o rio inundava a "shana" e chegava a ter várias centenas de metros de largura.


Uma canoa suspeita... 



Os rápidos (m´pupa) do rio Cuíto, junto ao nosso quartel 

Rio Cuíto (preparando a ida a banhos...) 


Desfrutando... 



Junto aos rápidos do Cuíto 

Isto sim! Tropa de "elite"... 

08-Recordações de Angola 1971-1973 (por CCS-BCav3845)


Comandante da Região Militar de Angola
de visita a M´Pupa

Inauguração da escola 

Camaradas... (pessoal nosso e sul-africano) 
 
Pose para a fotografia...
 
Máquina zero? 

Exército ajudou ao parto
(reportagem do Jornal do Exército) 
«Porque sendo um ato banalíssimo, o nascimento de uma criança, aqui em M'Pupa, transformou-se num acontecimento com foros de sensacional...»

M'Pupa é uma localidade perdida no distrito angolano de Cuando-Cubango. Desde 28 de Julho de 1971 tornou-se sede do Comando do Batalhão de Cavalaria 3845, cujos elementos foram para ali destacados em cumprimento da respetiva comissão de serviço.
O quartel, que hoje se encontra instalado em edificações pré-fabricadas, era inicialmente disposto em bivaque. Entretanto, prosseguem as obras do aquartelamento definitivo.
Em guerra para a conquista da paz, os militares do BC 3845 têm desenvolvido, paralelamente às mais diversas atividades operacionais, uma ação psicológica e social deveras importante. No âmbito da ação social, tem o Comando do BC 3845 dado especial prioridade à resolução dos problemas da população nativa no aspeto sanitário.
A assistência materno-infantil toma aqui importância decisiva e permite recordar o primeiro parto, ocorrido nas instalações hospitalares do Quartel, em 12 de Novembro do ano passado (1971).
Auxiliada pelo Furriel Miliciano Manuel Branco, uma mãe nativa deu à luz um excelente bebé que, em homenagem ao assistente e à localidade, recebeu o nome de Manuel M'Pupa.
As fotografias que publicamos foram-nos amavelmente endereçadas pelo Comandante interino da unidade que, com extraordinário sentido de oportunidade, comentava o facto com a frase que escolhemos para abrir este texto.

Jornal do Exército, 145, Janeiro de 1972, pág. 71.

09-Recordações de Angola 1971-1973 (por CCS-BCav3845)


A cozinha do nosso "hotel"
 
Jantando... 

Tomando o café... 

Conversando... 
 
...e festejando! 


 
Aniversário... (os meus "verdes" 23 anos) 


Aniversário... (do Resende) 


 
E continua a festa!

 
 
Ainda não acabou?


Mais uma "reunião"... 


Mas... não se fazia mais nada? 


Parece que não... 

 
...as garrafas são apenas decoração... 


Comentar o quê? 

 
Apenas, mais uma pequena "reunião de trabalho"...


Brincadeiras... 
 
Concerto...